
De um investimento em Coronel Freitas ao topo das Américas: a história da Good Alimentos, maior produtora de codornas do Brasil
Fundada por um grupo de investidores de Coronel Freitas, a Good Alimentos cresceu até se tornar a maior produtora de codornas do Brasil — e de toda a América Latina. Em 2022, foi adquirida pelo Grupo XWR, controlador da Villa Germania de Indaial. Em 2023, conquistou o SIF e virou a única empresa brasileira autorizada a exportar a ave para o mundo.
Um projeto nascido no oeste catarinense
A história da Good Alimentos começa em Coronel Freitas, no oeste de Santa Catarina. Foi ali que um grupo de investidores locais enxergou uma oportunidade que o mercado nacional ainda não havia explorado com seriedade: produzir carne de codorna em escala industrial, com controle total da cadeia, desde a genética até o abate.
O projeto foi além das expectativas. A Good Alimentos cresceu, consolidou a marca Codornas do Chef e chegou a uma posição que poucos empreendimentos do interior catarinense alcançaram: a liderança absoluta do seu setor no Brasil. Com uma unidade integrada de 360.000 metros quadrados — que reúne matrizes, incubatório, criação e abatedouro no mesmo complexo —, a empresa se estabeleceu como referência nacional na produção de aves especiais.
Uma operação integrada de ponta
O diferencial da Good Alimentos está no controle rigoroso de cada etapa do processo. A empresa gerencia desde a seleção genética das aves reprodutoras até a industrialização final — passando por incubação (21 dias), criação e abate das codornas ao redor dos 27 dias de vida. A cada duas semanas, cerca de 33.000 pintinhos nascem nas instalações de Coronel Freitas.
A biossegurança é levada ao extremo: todos os funcionários que acessam as instalações passam por banho e troca completa de roupas diariamente, minimizando qualquer risco sanitário. O resultado é uma taxa de aprovação de aproximadamente 80% dos nascimentos — desempenho expressivo para o setor avícola.
Com capacidade instalada para produzir 17.000 a 20.000 codornas por dia — o equivalente a cerca de 16 toneladas de carne diárias —, a Good Alimentos se firmou como o maior frigorífico de codornas do país.

A chegada do Grupo XWR e a nova fase
Em janeiro de 2022, a Good Alimentos entrou em uma nova fase. O Grupo XWR Investimentos — conglomerado que controla a Villa Germania Alimentos, de Indaial — adquiriu 76% do capital total da empresa. Os fundadores originais de Coronel Freitas permaneceram como sócios minoritários, retendo os outros 24%.
A Villa Germania é uma referência no segmento de aves especiais no Brasil e no mundo: é a única empresa brasileira exportadora de carne de pato e ocupa o 6.º lugar global nas exportações de pato inteiro. Em 2021, faturou R$ 150 milhões — praticamente o dobro do ano anterior —, com mais de 40% da produção exportada principalmente para Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
A visão do grupo para a Good Alimentos ficou clara nas palavras de Marcondes Moser, vice-presidente de operações da Villa Germania: “Queremos transformar a Good Alimentos numa nova Villa Germania, já que tem muito potencial nos mercados interno e externo.” O objetivo era replicar, no segmento de codornas, o mesmo modelo que transformou a Villa Germania em exportadora de alcance global.
O SIF e a conquista do mercado internacional
O grande salto veio em 2023. A Good Alimentos obteve o Serviço de Inspeção Federal (SIF), concedido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) — e com isso se tornou a única empresa brasileira autorizada a exportar codornas para o mercado internacional.
Com o SIF em mãos, a empresa planejou destinar 50% de sua produção ao exterior, com meta de exportar no mínimo 50.000 quilos por mês. A projeção era de R$ 10 milhões em receita de exportação só em 2023, com potencial para superar R$ 20 milhões ao ano à medida que novos mercados fossem abertos. Os destinos prioritários são Oriente Médio, Américas e Ásia — mais de 20 países na mira.

Santa Catarina no mapa mundial das codornas
O impacto da conquista do SIF foi sentido além das fronteiras da empresa. Com a Good Alimentos habilitada a exportar, Santa Catarina — e por extensão o oeste catarinense — passou a figurar no mapa global da produção de codornas. Nas palavras de Marcondes Moser: “Isso torna Santa Catarina a maior produtora e exportadora de codornas das Américas.”
A conquista foi celebrada também pelo setor. Jorge Luiz de Lima, diretor da Associação Catarinense de Avicultura, destacou a certificação como mais uma vitória do agronegócio catarinense — um setor que já é referência nacional e que segue ampliando sua presença no mercado internacional com produtos de alto valor agregado.
O legado do empreendedorismo de Coronel Freitas
A trajetória da Good Alimentos é, antes de tudo, uma história de visão empreendedora. O grupo de investidores de Coronel Freitas que apostou na criação industrial de codornas — quando o setor ainda era incipiente no Brasil — ajudou a construir uma empresa que hoje define os padrões do setor em todo o continente americano.
Da mesma forma que a Coperáguas transformou Águas Frias na capital brasileira da exportação de feijão, a Good Alimentos colocou Coronel Freitas e o oeste catarinense no mapa mundial da avicultura especial. São histórias diferentes, mas com a mesma marca: a capacidade do interior de Santa Catarina de pensar grande, investir com coragem e colher resultados que impressionam muito além das fronteiras da região.
Fontes: Agrimídia — Aquisição XWR; Agrimídia — SIF; NSC Total; NDMais; CompreRural. Fotos: reprodução/NDMais.