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Meio Ambiente

Natureza em perigo: falta de passagem de fauna causa morte frequente de animais silvestres na SC-157

By JoelZ
9 de junho de 2026 4 Min Read
Comentários desativados em Natureza em perigo: falta de passagem de fauna causa morte frequente de animais silvestres na SC-157

Para quem faz o trajeto de Coronel Freitas a Chapecó pela SC-157, uma cena triste é vista com frequência — e não deveria ser normal: animais silvestres mortos na beira da rodovia. Cachorro-do-mato, tamanduá-mirim, mão-pelada. Em um trecho específico da estrada, essa realidade se repete semana após semana. E a explicação está no mapa: dois maciços florestais cortados ao meio por um asfalto que nunca recebeu a estrutura necessária para proteger a vida selvagem que ali existe.

Animal silvestre morto na beira da SC-157 — trecho Coronel Freitas, próximo à ponte do Zeki
Animal silvestre encontrado morto na beira da SC-157, no trecho próximo à ponte do Zeki — Foto: CELF TV

Sempre no mesmo trecho

O ponto crítico é o trecho da SC-157 próximo à ponte do Zeki — Centro de Eventos, entre Coronel Freitas e Chapecó. Quem passa por ali com atenção sabe: não é coincidência. É ali que os animais tentam cruzar a rodovia para se mover entre os dois maciços de mata nativa que margeiam a estrada. Observados de cima, fica evidente que a rodovia literalmente corta ao meio uma área de floresta contínua — separando habitats que a fauna precisa acessar para se alimentar, reproduzir e sobreviver.

Em pouco tempo de observação e registro, a CELF TV documentou no local a morte de ao menos três espécies: cachorro-do-mato (Cerdocyon thous), tamanduá-mirim (Tamandua tetradactyla) e, mais recentemente, um mão-pelada (Procyon cancrivorus), popularmente conhecido como guaxinim. Todas são espécies nativas do bioma da Mata Atlântica — e todas constam em listas de monitoramento ambiental como vulneráveis ao impacto de rodovias.

O problema já era conhecido — e cobrado

O problema não é novo, e nem passou despercebido pelos representantes do município. Na legislatura passada, o então vereador Mayco Masetto já havia alertado para a situação e solicitado junto ao DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) a implantação de placas de sinalização de travessia de fauna no trecho.

As placas chegaram. Mas, como bem se sabe, placa não salva animal. O motorista pode até reduzir a velocidade ao ver o aviso — mas se o animal não tiver para onde ir além de cruzar a pista, o atropelamento continua acontecendo. A sinalização é um primeiro passo importante, porém insuficiente diante da escala do problema.

A obra que existe para o gado — mas não para os animais silvestres

A ironia mais reveladora está a poucos metros dali. No mesmo trecho da SC-157, existe uma passagem subterrânea construída especificamente para que agricultores conduzam seu gado de um lado ao outro da rodovia com segurança. A obra existe, funciona e cumpre seu papel.

Mas o mesmo cuidado que foi dispensado ao gado nunca foi aplicado à fauna silvestre. Não há passagem de fauna — nenhuma estrutura subterrânea, nenhuma ponte verde, nenhum corredor ecológico projetado para que os animais da floresta possam cruzar a rodovia com segurança. O contraste é difícil de ignorar: aquilo que é necessário para o animal doméstico foi construído. O que salva os silvestres ainda espera — enquanto os atropelamentos continuam.

A solução existe — falta vontade política

As chamadas passagens de fauna são estruturas já amplamente utilizadas em rodovias de todo o Brasil e do mundo. Podem ser túneis subterrâneos, viadutos ecológicos ou simples passagens dimensionadas para os animais da região — e têm eficácia comprovada na redução do atropelamento de animais silvestres.

A SC-157 é uma rodovia estadual, sob responsabilidade do DEINFRA-SC (Departamento Estadual de Infraestrutura). O trecho junto à SC também envolve o DNIT. Mas isso não impede — e sim exige — que a Prefeitura Municipal de Coronel Freitas e a Câmara de Vereadores atuem como interlocutores, pressionando os órgãos competentes por uma solução estrutural.

Em um mundo onde essas espécies já são tão ameaçadas pelo desmatamento, pela caça ilegal e pela expansão urbana, seria muito pouco pedir que os representantes eleitos do município intercedessem junto ao estado por uma passagem de fauna nesse trecho específico — de localização conhecida, com problema documentado e solução técnica disponível.

Até quando?

A pergunta que fica é simples: até quando vamos ver os mesmos animais atropelados, sempre no mesmo lugar? O trecho é o mesmo. Os animais são os mesmos. O problema é o mesmo. E a solução também — só falta alguém fazer acontecer.

A CELF TV lança o convite à reflexão e à cobrança: se você passa por esse trecho e já viu o que descrevemos aqui, fale com seu vereador, com a prefeitura, com o deputado estadual da sua região. A natureza não tem voz — mas nós temos.


🐦 Saiba mais: Denúncias de atropelamento de fauna silvestre podem ser registradas no Sistema Urubu (DNIT) ou diretamente à Polícia Ambiental de SC pelo 0800 644 7064. Registros fotográficos colaboram com estudos de monitoramento e ajudam a embasar pedidos de obras de mitigação junto aos órgãos responsáveis.


Fonte: Observação e registro da CELF TV no trecho da SC-157, município de Coronel Freitas. Rodovia sob gestão do DEINFRA-SC. Fauna silvestre protegida pela Lei Federal 9.605/1998 (Lei de Crimes Ambientais) e pela Lei 5.197/1967 (Proteção à Fauna).

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JoelZ

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